19 de fevereiro de 2014

Retrato

RETRATO
Cecília Meireles
Eu não tinha este rosto de hoje,
Assim calmo, assim triste, assim magro,
Nem estes olhos tão vazios,
Nem o lábio amargo.

Eu não tinha estas mãos sem força,
Tão paradas e frias e mortas;
Eu não tinha este coração
Que nem se mostra.

Eu não dei por esta mudança,
Tão simples, tão certa, tão fácil:
- Em que espelho ficou perdida
a minha face?

ELA, Machado de Assis

Bom dia pessoal,
Desculpem a demora, mas esses dias andaram meio agitados e ficou quase impossível postar alguma coisa, porém eu lhes prometo tentam manter um ritmo aceitável de publicações para cobrir o dia de vocês de beleza poética e ótimas dicas.
Deixem seus comentários! Podem pedir para essa semana a resenha de um filme, o mais pedido eu assisto e dou minha opinião!

ELA
Seus olhos que brilham tanto,
Que prendem tão doce encanto,
Que prendem um casto amor
Onde com rara beleza,
Se esmerou a natureza
Com meiguice e com primor

Suas faces purpurinas
De rubras cores divinas
De mago brilho e condão;
Meigas faces que harmonia
Inspira em doce poesia
Ao meu terno coração!

Sua boca meiga e breve,
Onde um sorriso de leve
Com doçura se desliza,
Ornando purpúrea cor,
Celestes lábios de amor
Que com neve se harmoniza.

Com sua boca mimosa
Solta voz harmoniosa
Que inspira ardente paixão,
Dos lábios de Querubim
Eu quisera ouvir um -sim-
P’ra alívio do coração!
Vem, ó anjo de candura,
Fazer a dita, a ventura
De minh’alma, sem vigor;
Donzela, vem dar-lhe alento,
“Dá-lhe um suspiro de amor!”

16 de fevereiro de 2014

TRILHA SONORA

Para quem não dispensa uma boa música em quanto lê. Recomendo a rádio NewAge "HappyDay" na rádio online aqui no final da página inicial do blog. É fácil: Vai na opção OTHER GERES, em seguida selecione a opção NEWAGE e por fim a rádio HAPPYDAY entre elas. É a segunda. Achei uma rádio excelente como plano de fundo... Mas caso não curtam, explorem o aplicativo e selecione os gostos musicais de suas preferências.

Boa Tarde!

FOTOGRAFIAS

Novas atualizações no tópico fotografias pessoas... Espero que gostem das fotos (mesmo pequenas e desfocadas) e do tema proprosto...

BOM DOMINGO!

Lady Lasarus

Para começar o dia com mais uma coisa maravilhosa, lhes trouxe uma das minhas poetas favoritas. Sempre com um retrato profundo, trágico e melancólico de sua própria vida, se seus conflitos - familiares ou não - ele me emociona todas as vezes que leio cada um de seus poemas. Se auto-intitulando, nesse que é um de seus poemas mais famosos, a própria Lady Lasarus, a mulher que sempre foge da morte, ela traz mais uma vez o enseio por esse fato. Dito por muitos uma voz do feminismo de sua época, ela fala na mulher que surge das cinzas e que devora, homens e ar. Eu não chamaria Plath de feminista, ativista, ou sei lá que tantos outros rótulos modernos e que parecem intelectuais se criam hoje em dia. Quando eu leio suas poesias, eu vejo apenas um alma que parece estar fora de seu próprio corpo, tentando respirar em baixo da água.



Lady Lazarus
Sylvia Plath

Tentei outra vez.
A cada dez anos
Eu tramo tudo
Um tipo de milagre ambulante, minha pele
Brilha como um abajur nazista,
Meu pé direito
Um peso de papel
Face sem feições, fino
Linho judeu.
Livre-me dos panos
Oh, meu inimigo.
Eu te aterrorizo?
O nariz, as covas dos olhos, os dentes postiços?
O hálito azedo
Some num só dia.
Logo logo a carne,
Que a caverna carcomeu, vai voltar
Pra casa, em mim.
Sou uma mulher que sorri.
Não passei dos trinta.
E como um gato tenho nove vidas.
Esta é a Terceira.
Que besteira
Se aniquilar a cada década.
Milhões de filamentos!
A platéia comendo amendoins
Se aglomera para ver
Desenfaixaram minhas mãos e meus pés
O grande strip-tease.
Senhoras e senhores,
Eis minhas mãos,
Meus joelhos.
Posso ser só pele e osso,
Mas sou a mesma, idêntica mulher.
Na primeira vez tinha dez anos.
Foi acidente.
Na segunda tentei
Acabar com tudo e nunca mais voltar.
E rolei, fechada
Como uma concha do mar.
Tiveram de chamar e chamar
E arrancar os vermes de mim como pérolas grudentas.
Morrer
É uma arte, como tudo o mais.
Nisso sou excepcional.
Faço isso parecer infernal.
Faço isso parecer real.
Digamos que eu tenha vocação.
É fácil demais fazer isso na prisão.
É fácil demais fazer isso e ficar num canto.
É teatral
Voltar em pleno dia
Ao mesmo local, à mesma cara, ao mesmo grito
Brutal e aflito:
"Milagre!".
Que me deixa mal
Há um preço
Para olhar minhas cicatrizes, há um preço
Para ouvir meu coração
Ele bate forte.
E há um preço, um preço muito alto
Para cada palavra ou um toque
Ou uma gota de sangue
Ou um trapo ou uma mecha de cabelo.
E então, Herr Doktor.
E então, Herr Inimigo.
Sou sua opus
Seu tesouro,
Seu bebê de ouro puro
Que se derrete num grito.
Ardo e me viro.
Não pense que subestimei sua imensa consideração.
Cinzas, cinzas
Você remexe e atiça.
Carne, ossos, não há nada ali
Barra de sabão,
Anel de noivado,
Prótese de ouro.
Herr Deus, Herr Lúcifer,
Cuidado
Cuidado.

Renascida das cinzas
Subo com meus cabelos ruivos
E como homens como ar.


15 de fevereiro de 2014

Hurt - Johnny Cash

Para começar bem o dia, um delírio musical maravilhoso que me fez refletir sobre várias coisas na primeira vez que escutei. Admito que não tinha tanto apreço por country e esse tipo de música americana, mas foi Johnny quem me fez rever esse princípio. Apesar da letra não ser do próprio ela parece ter sido tomada por ele de uma maneira que ninguém mais se pergunta se a letra é realmente dele ou não. Um pequeno, singelo, profundo e pesado retrato de uma vida de coisas que ele não poderia consertar sai "Hurt", uma obra prima da musica moderna...

Dor

Hoje machuquei a mim mesmo
Para ver se ainda sinto
Eu me concentro na dor
A única coisa que é real

A agulha abre um buraco
A velha picada familiar
Tento apagar tudo
Mas me lembro de todas as coisas

O que me tornei, minha mais doce amiga?
Todos que eu conheço vão embora
No final

E você poderia ter tudo isso
Meu império de sujeira
Vou te desapontar
Eu farei você sofrer

Eu uso essa coroa de espinhos
Sobre meu trono de mentiras
Cheio de ideias partidas
Que eu não posso consertar

Sob as manchas do tempo
Os sentimentos desaparecem
Voce é outra pessoa
Eu ainda estou aqui

O que me tornei, minha mais doce amiga?
Todos que eu conheço vão embora
No final

E você poderia ter tudo isso
Meu império de sujeira
Eu vou te desapontar
Eu farei você sofrer

Se eu pudesse começar de novo
A milhões de milhas distante
Eu me salvaria
Eu encontraria um jeito

14 de fevereiro de 2014

PILOTO

Boa noite pessoal!
Já está um pouco tarde para inaugurar um blog, mas eu  achei ser este o momento mais propício. confesso que não sou muito chegado ao uso da internet, porém senti que aqui seria um lugar pra compartilhar um pouco da minha nevasca!
Aqui serão compartilhados vídeos, poemas, trechos de livros e outras tantas coisas de grandes poetas e escritores. Algumas coisas minhas também, possivelmente (assinaladas como A.B.)
Espero que gostem da ideia e se deixem levar pelas palavras!


INACABADO

Bem perto um do outro
Um monte de retalhos velhos
Confundem-se com a neblina
Encharcam-se das gotas frias
Que em chuva desmancham o céu
O mesmo reflexo que vejo todo dia
De tão perto das sombras se parecem com elas
O negativo da fotografia de quem nunca vi

Pintam-se sorrisos sobre a tela morta
Impregnam-se histórias, outrora muito tortas
Que emudecem um coração já mudo
Ou que fala pouco por não ter respostas
Que se dispersa entre tantas coisas bonitas
Nos raios de sol que penetram nas frestas
Que inundam tudo
Os espaços vazios
Onde vive um eu que tão pouco me resta
E há se eu pudesse encontrar-me com ele
Ver seus olhos tão murchos
Cor de perola bruta
E dar um passo atrás do outro
    Em caminho reverso...
(A.B.)